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Fabiano Cambota

  • Foto do escritor: Carolina Lima
    Carolina Lima
  • 8 de mai. de 2017
  • 5 min de leitura

Atualizado: 13 de jan. de 2021

“Tudo que é ruim de passar

é bom de contar”



Fabiano Cambota chegou ao teatro da EsSa, em Três Corações, com o produtor, Fábio, e de repente se escuta uma risada. Havia acabado de chegar de São Paulo e gentilmente concordou em dar uma entrevista para mim. Em clima descontraído, observou meu All Star, e contou que queria ter achado alguma loja aberta pra tentar comprar um tênis, pois havia esquecido de colocar outro na mala e estava apenas com aquele que usava: laranja, de treinar, e que não combinava com a roupa que vestia, o que lhe deixou muito chateado.


Conversamos durante alguns minutos, e foi algo bem legal, porque é muito importante quebrar esse clima de pessoas que acabam de se conhecer ou de jornalista e entrevistado. Falamos sobre ‘A Culpa é do Cabral’ e o clima das gravações do programa, que segundo ele é muito bom, pois os “meninos” são super amigos.





Questionado sobre sua agenda e rotina, Fabiano disse que é bem complicado conciliar os shows da Pedra Letícia, acústico da banda, shows solo, ‘Música Divertida Brasileira (banda + Rafael Cortez), gravações de ‘A Culpa é do Cabral’ e do ‘Programa do Porchat’, mas que acha tudo isso muito legal.


“Normalmente eu só tenho sexta e sábado pra fazer show, porque nos outros dias eu gravo ‘Porchat’; e gravação do Cabral é ainda mais complicado, tem que dedicar uma semana, a gente dedica uma semana e aí grava dez episódios, dá mais um tempo, dedica outra semana, e grava mais dez episódios; é até mais simples, só que o ‘Porchat’ me ocupa de segunda a quinta, eu só tenho sexta e sábado pra fazer show, normalmente eu não faço show domingo pelo risco de não conseguir voltar pra gravar na segunda... então, eu não gosto de sair de São Paulo”.


Cambota disse também que dedica o primeiro semestre do ano mais aos shows de comédia e o segundo aos shows da banda, prática que realiza desde o ano passado. Sobre como se prepara para as apresentações ele brinca: “Normalmente eu peço Toddynho...”, o que nos rende uma boa risada; “Eu me concentro antes do show. Sempre dez minutinhos antes eu gosto de ficar sozinho, repassar na cabeça muito rápido o que eu pretendo falar naquele dia, é claro que... o show dura uma hora e meia, em dez minutos eu não vou repassar uma hora e meia, mas repassar pelo menos os tópicos que eu quero falar [...] pra eu tá relaxado e tá tranquilo do que eu vou falar eu tenho que tá muito concentrado; então, é uma coisa que eu sempre peço antes do show, ‘só me dá dez minutinhos pra eu ficar sozinho’”. Na questão camarim ele admite: “Frescura de camarim, esse tipo de coisa, eu acho que não combina comigo porque ia ser meio ridículo (mais risadas), o que eu gosto mesmo é de ter esses dez minutinhos”.


Nos shows de stand up, Cambota sempre diz: “Isso foi real”, “eu não conto mentira, isso aconteceu, foi real”; ele reafirma as frases e diz que obviamente ele conta as histórias de uma maneira engraçada, mas que são reais sim. “Eu sempre tiro por base uma vez que a minha avó... a minha avó já faleceu de câncer há muitos anos, uns três dias antes dela morrer foi aniversário dela e ela me pediu pra comprar um pastel, não podia, óbvio, ela tava internada num hospital de câncer, não podia levar um pastel; e óbvio que eu corri pra comprar um pastel, entrei com o pastel escondido, ela deu duas mordidas no pastel e não conseguiu comer mais, aí eu falei: ‘não tem problema vó’. Aí ela falou: ‘não era só comer, era ter o prazer de ter o gosto do pastel’. E aí é muito louco isso, a gente mesmo na adversidade, como ela, tadinha, que tava péssima... a gente tem que enxergar um pequeno prazer nas coisas, sabe, e aí eu sempre penso isso. A gente tem uma tendência a aumentar os nossos próprios problemas, então eu sempre encarei a vida com bom humor mesmo. Algumas das histórias que eu conto com bom humor no palco, elas foram bem tristes de passar... E aí entre uma frase do Ariano Suassuna que guiou a minha vida e que guia minha carreira que é ‘Tudo que é ruim de passar é bom de contar’. As histórias são reais? São, são reais. Elas só são contadas de um jeito exagerado, divertido, eu não tenho pudor nenhum pra rir das minhas coisas, dos meus defeitos, das minhas imperfeições.” Fabiano revela que foi alvo de bulling na escola, mas que sempre encarou essas situações com muito riso e bom humor. “A ofensa, quando era ofensa, ela sempre vem de alguém que necessita te ofender, isso é muito maluco, agora, humor?! Humor é isso mesmo, cara. Humor é a piada, humor é a desgraça e ninguém entendeu isso ainda.” Ele me pergunta qual foi a última vez que eu gargalhei, e assim que eu digo ‘ontem’ ele fala: “Alguém se deu mal, eu tenho absoluta certeza, você não me contou o que é, e eu tenho absoluta certeza que na sua gargalhada alguém se deu mal. [...] Quando alguém vira pra você e fala ‘eu te amo’ você dá um sorriso; se alguém tropeçar na sua frente e cair de boca você dá uma gargalhada, essa é a vida. Qual o momento da humanidade isso passou a ser uma ofensa? As pessoas pararam de rir de si mesmas, é muito maluco isso, cara. As pessoas esqueceram a origem da gargalhada. Me mostra uma gargalhada e eu te mostro onde que tá a desgraça. A sua gargalhada é a desgraça de outrem.”


Quando passamos ao assunto ‘Pedra Letícia’, Cambota diz que as músicas não são histórias reais, mas que partem de uma observação da vida. “Vamos por base, humor não é inspiração, é observação. Você observa um fato engraçado e escreve.” Ele conta que já foi muito xingado por causa da música ‘Me Provoca’. “Essas mesmas pessoas que me criticam escutam Djavan tocando ‘Se’, que é a mesma música: um cara reclamando porque a mulher não deu. Só que ele é o Djavan e eu sou o Cambota, ele é um intelectual e eu sou um idiota, simples assim.” O vocalista fala sobre outras músicas e diz que observa fatos e constrói histórias em cima deles. “A gente nunca vai agradar todo mundo, se você quiser fazer humor... mas toda música vai ter um começo, esse começo é algum fato que me chama atenção, e o final, e esse final é: eu vou escutar de alguém.”

Na foto: Carolina Lima/Fabiano Cambota

A hora da apresentação se aproxima, então faço minha última pergunta que também é sobre música: Qual é a sua favorita dentre as músicas que você escreveu? E ele diz ser ‘Circo de um homem só’. “O que é engraçado é que ela não é de humor, mas eu tenho muito orgulho de ter escrito essa música e ela é sobre a banda, a gente sempre se sentiu assim, ‘a gente não é nada’, ‘a gente não é amigo de ninguém, ninguém empurrou a gente’, sabe, a gente não participou de nenhum movimento, de nenhum festival, a gente nunca teve um espaço garantido em algum lugar, tudo que a gente conseguiu foi através do nosso próprio trabalho, isso gerou com que o público fosse absolutamente heterogêneo, você vai ver patricinha do lado do maconheiro, do lado do sertanejo que tá do lado do heave metal, que ta do lado do reggaeiro, é muito louco, mas essa era a tônica, a gente é um circo nosso, quem tá no show tá numa proposta única de diversão”


Eu agradeço a paciência e o carinho dele e me retiro, deixando-o com seus dez minutinhos de concentração. Quando entro no auditório, o público já está lá, as luzes se acendem, todos a postos. Fabiano é apresentado pelo produtor, Fábio.


Ele entra e cumprimenta a plateia, sua primeira observação é sobre seu tênis de treino laranja. Então ele nos diz que fará uma apresentação a ‘lá Bethania’, tira o tênis, a meia, dobra as barras da calça. Começa então, as nossas gargalhadas.


 
 
 
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